O procurador Deltan Dallagnol, protagonista das nova reportagem do Vaza Jato na Folha, onde aparece atuando como palestrante e lobista da Neoway, afirmou não saber que a empresa havia sido citada em delação da Lava Jato quando ofereceu seus serviços.

Em entrevista à Folha, o procurador comentou sobre as conversas que teve com outros membros do MPF em que disse que a Neoway era “um pepino” para ele. Deltan falava exatamente sobre uma delação que envolvia o grupo, quatro meses depois de ter dado palestra e atuado como lobista da Neoway para viabilizar o uso de produtos da empresa de tecnologia na Lava Jato.

“Se, por acaso, por hipótese, eu tivesse feito parte [do grupo no qual a Neoway apareceu em documentos], certamente não tomei conhecimento. Se soubesse não teria feito, e, sabendo, me afastei”, defendeu-se Deltan, que se declarou suspeito em investigação contra a Neoway apenas em junho de 2019, auge da Vaza Jato.

Ele ainda avaliou que o que as conversas relatam é normal. “Quando vou a eventos, somos chamados a falar para várias pessoas, inclusive do evento, e todas essas falas podem tocar em aspectos do caso Lava Jato, em aspectos institucionais. Supondo que essa mensagem tenha existido, a preocupação ali não era se eu apareci bem ou mal, não seria por um interesse privado, seria pela questão institucional, porque eu vou lá falar de um tema de cidadania, de ética, de combate à corrupção”, disse.

O procurador ainda defendeu a realização de palestras e comparou a atividade remunerada com a existência de uma vida social ativa. “A questão que você coloca em relação às palestras poderia ser colocada em relação à vida social das pessoas. Será que é conveniente que se tenha vida social? Isso pode gerar um risco de conflito de interesses. A questão não é essa, a questão deve ser se a atividade de palestras é legal e legítima”, avaliou.

Reportagem do site Revista Fórum.

guazelli

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