Na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) para responder aos vereadores sobre a conclusão da Linha Verde, o secretário municipal de Obras Públicas, Rodrigo Araújo Rodrigues, foi questionado sobre outras obras a cargo da sua gestão. Pela primeira vez no Legislativo para prestar contas, Rodrigues falou sobre a política de pavimentação da Prefeitura de Curitiba, a grande intervenção na bacia do rio Pinheirinho, a expectativa dos parlamentares por mais trincheiras e viadutos e prometeu novidades na área da ciclo mobilidade. A sessão plenária desta terça-feira (1) na CMC foi dedicada ao debate do gestor público com os vereadores.

“[A Secretaria Municipal de Obras] é uma casa totalmente aberta”, disse Rodrigues, no início da sua fala na CMC. “Entregamos 110 quilômetros de pavimentação. Mais de 116 locais, entre praças e parques, receberam iluminação. Mais de 67 mil solicitações de iluminação foram recebidas e 1.327 atendimentos sobre drenagem. Enfim, não temos medido esforços para atender a população. Mas como hoje não é esse o tema, não vou me estender com todas as ações da secretaria. Ela é feita de diversas obras e serviços, não tão somente da Linha Verde”, afirmou.

Apesar disso, pelo menos 11 intervenções dos vereadores trataram de assuntos alheios à rescisão da Prefeitura de Curitiba com a construtora Terpasul em dois lotes da Linha Verde, depois de 144 notificações. O assunto mais abordado foram as obras de macrodrenagem ao longo do rio Pinheirinho, que recebeu elogios em plenário. “Eu estou ao lado de duas obras faraônicas”, comparou Oscalino do Povo (Pode), “sendo que uma é a Linha Verde e a outra é a contenção das cheias do rio Pinheirinho”. O vereador promoveu em abril do ano passado uma audiência pública para explicar as obras de drenagem à população.

“O projeto [de drenagem] estava parado na gestão passada. Se não tivesse retomado as obras, o bairro estaria todo alagado de novo”, elogiou Edson do Parolin (PSDB). “A obra do Pinheirinho é a maior do tipo no país, é de uma complexidade muito grande”, apontou o secretário municipal de Obras. “Inclusive passa por baixo da Linha Verde”, acrescentou Tito Zeglin (PDT), que presidia a sessão no momento.

Viadutos e trincheiras
Bruno Pessuti (PSD) e Geovane Fernandes (PTB) perguntaram sobre a construção, prometida quando Beto Richa (PSDB) foi governador do Paraná, de oito viadutos ou passagens aéreas na região da Linha Verde. “Toda situação de projetos é de outra pasta, do Ippuc [Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba]. A Smop é um órgão executor. Então não tenho informação completa [a respeito disso], mas posso dizer que os projetos estão em licitação, pois não existiam como os atuais da Linha Verde”.

Tico Kuzma (Pros) e Mauro Ignácio (PSB) também pediram informações sobre trincheiras e viadutos em outros pontos da cidade, como o do Orleans por exemplo. Ignácio ainda ponderou a dificuldade de se realizar obras no Brasil. O secretário também respondeu pergunta de Ezequias Barros (Patriota) sobre viaduto no Tatuquara, dizendo que está “em fase final, com o calçamento já executado”.

Questões técnicas
Partindo de um comentário contrário à burocracia para se realizar obras públicas no país, elaborado por Ignácio, Rodrigo Rodrigues deu como exemplo a trincheira da avenida Mário Tourinho. “Foram necessárias 1.500 páginas para justificar [ao Tribunal de Contas do Estado, TCE] a troca do modelo das estacas”, desabafou o secretário. O gestor queixou-se de que as cobranças cresceram de maneira inversamente proporcional à capacidade de resposta dos órgãos públicos. “Na última década, metade dos efetivos da Smop se desligou [do órgão, por aposentadoria e outros motivos]. Mas não podemos ficar chorando, temos que fazer e trabalhar dobrado para compensar dificuldades”.

Sobre as vias de saibro, Rodrigues adiantou que “conseguimos tirar agora o primeiro lote do papel”. “São 30 trechos e estamos em fase final de habilitação para mais 26 ruas”, dizendo que a meta é “concluir toda malha de saibro da cidade”. Segundo ele, seria mais rápido se o TCE não tivesse aumentado as exigências para licitar essas obras, até recentemente tidas como básicas.

Referindo-se a “críticos”, disse que a prefeitura seguirá com obras de pavimentação, “pois uma das maiores demandas da população é asfalto”. E que a gestão atua em várias frentes simultâneas, “pois a cidade não pode parar até ser concluída a Linha Verde. Rodrigo Rodrigues agradeceu o apoio de Maria Manfron (PP) às obras de pavimentação. “Elas são importantes para a minha região”, justificou a vereadora. No início da sessão, Toninho da Farmácia (PDT) também havia elogiado a Smop.

Maria Letícia (PV) questionou a falta de ações na área de ciclomobilidade, enquanto “a administração gasta R$ 7,5 milhões em publicidade para dizer que os buracos [nas vias] estão tapados”. “Todo mundo sabe, passando pelas ruas, que elas foram asfaltadas”, criticou a parlamentar. Beto Moraes (PSDB) interveio, pedindo que as perguntas se resumissem à Linha Verde.

“Claro que todo vereador tem a discricionariedade e a liberdade de questionar o secretário dentro da legitimidade da sua pasta, então eu interpreto que esse tipo de pergunta não é cabível”, concordou o líder do Executivo na CMC, Pier Petruzziello (PTB), ponderando que se fosse o caso poderia ser convidada a secretária municipal de Comunicação. “A prefeitura não tem nada a esconder, mas deveríamos nos focar no assunto [Linha Verde]”, complementou. Zeglin opinou a favor de Moraes e Petruzziello, deixando Rodrigues “responder aquilo que julgar conveniente”.

“Eu vou me ater somente aos temas da minha pasta. Não tenho conhecimento dos valores de publicidade, mas posso complementar que não 300 vias, já são 451 ruas executadas – [perfazendo] 245 quilômetros”, rebateu Rodrigo Rodrigues. Boa parte da publicidade que envolve as obras, ela visa dar satisfação à população, para que as pessoas evitem transitar por [essas] vias. A ideia é que o transtorno seja minimizado”, disse o secretário, acrescentando que “o prefeito [Rafael Greca] em breve vai anunciar o plano cicloviário [para Curitiba]”.

ASCOM – CMC.

Imagem: Carlos Costa.

guazelli

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